Ao tentar prender Lula, deixaram livre a incoerência

Os promotores que pediram a prisão de Lula confundiram Hegel com Engels, grafaram errado o nome de Nietzsche e argumentaram que o ex-presidente deveria ser detido porque acreditam que sua rede é violenta e porque ele xingou a Justiça. 

No texto escrito, há absurdos que vão desde erros gráficos a problemas abissais de coerência. Percebe-se que, além de faltar revisão, faltou estudo, preparo e inteligência. 

Vi alguns comentários e publicações de pessoas que comemoram tal ação do Ministério Público e que acreditam que a Justiça - seja na mão do MP ou do Juiz Moro - está a favor do povo e firme no combate à corrupção. Infelizmente, quando sobra ingenuidade, falta senso de percepção e capacidade para entender esse intenso momento político que vivemos. 

A questão é que tais promotores, além de escreverem mal, não estão preocupados com a construção de um país melhor. Seria muito bonito - para não dizer utópico - que não existe homem acima da Lei. Lula não está, evidentemente, acima dela; no entanto, a questão não é de justiça, mas de relações de poder e de uma grande estratégia eleitoral para desgastar um possível adversário em 2018. Cunha é réu na Lava Jato e nunca foi levado coercivamente pela PF; não há alarde sobre o apartamento na França e que vale milhões de FHC; Maluf, se for à Marte, pode ser preso lá, mas aqui passeia livremente; na gestão Alckmin, houve roubo da verba da merenda, corrupção nas obras do metrô, fechamento de salas de aula, etc., e nunca o MP pediu a prisão do (des)Governador; Beto Richa usou a verba da aposentadoria de professores para pagar contas, comandou um massacre em que pessoas poderiam ter morrido e quase nada se fala sobre ele; e o que dizer de Aécio, com diversas citações na Lava Jato e processos arquivados? 

A população brasileira, no geral, hoje clama por justiça, regozija-se ao ver o declínio de Lula, mas assume discursos que são de outros, sendo, conforme diz o poema do rapper Lucas Afonso, "ratos que aplaudem a ratoeira". 

Se Lula é ou não inocente, se merece ou não ser preso, deixo esse tópico para outras discussões. A questão aqui é deixar claro que essa luta é apenas política e partidária, cujos protagonistas estão tomados pelo ódio, pela ignorância e pela covardia, uma vez que não conseguem nem assumir que se trata de um golpe. Era de se esperar isso mesmo de pessoas que citam certo filósofo alemão sem nem saber escrever seu nome. 

Em vez de trazer a paz, o Juiz Moro e seus amigos do peito vão é desmoronar o conceito de justiça. Já os que estão felizes com isso, estarão lá para aplaudir as ruínas e sofrer com o pó sujo em seus olhos. 

Para fechar, citemos Hegel, autor que os promotores inimigos de Lula citam sem conhecer: "Ser independente da opinião pública é a primeira condição formal para realizar qualquer coisa grandiosa ou racional". 

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