Poética do Maracujá

Não havia luz  

Nas paredes frias   

Do apartamento  

  

E o sol não aquecia  

O vazio jardim   

De prosa sem poesia  

  

Ainda assim  

A semente lá fora plantada  

  

E a cada cinzento inverno  

Que passava  

Sua muda melodia persistia  

  

Mas num único dia  

Que o sol ali brilhava  

A história do jardim  

Seria outra contada  

Pelas janelas da prisão  

À terra que escondia a semente   

O sol chegava  

  

Aos poucos  

Uma ponta de flor  

Surge na terra  

E assim  

No jardim de dor  

Antes sem cor  

O inverno se encerra  

  

E assim   

Põe fim  

Em tudo que cinzento for  

Em outros jardins de pedra  

  

Bela flor de maracujá  

Que fez brotar outras flores  

Que à vida deu outros sabores  

E deu-nos a rima e mais amores  

  

Fez do jardim   

Antes esperança perdida  

A poética que dá vida   

  

É a poesia que fez rima  

Nos versos das paredes foscas  

É a melodia que fez dançar o perfume  

De outras flores  

É a harmonia que acalma  

Nossas dores  

  

E foi num ambiente  

Cinzento e frio  

Que a flor de Maracujá cresceu  

Ambiente assim sem muito brio  

São as paredes de nosso mundo  

Que ao inverno cedeu.  

  

Quero eu  

Ter a poética dum Maracujá... 

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