Tempestade

Já é noite...  

e uma suave brisa   

traz calma à alma.  

Há tranquilidade no luar  

e cumplicidade das estrelas  

com o descanso.  

  

E no doce balanço  

do sono o repouso vem,  

hora da mente inquieta   

ir além...  

Lá fora, todos dormem;  

dentro, nada se contém.  

  

Todos já respiram fundo  

entregues ao sono;  

dentro da casa, busco o profundo  

num mundo sem dono.  

  

Aquela brisa não é mais tão suave,  

mais parece tempestade...  

  

O vento entra feroz pela janela,  

uma voz se ouve lá de fora.  

A porta aberta está para outros ventos,  

mas fechada para ir embora...  

  

As cartas postas na escrivaninha  

  

  se          espalharam         com        a       ventania  

  

e os selos das cartas tinham  

                                                  forma de sinapses  

  

A rajada também fez abrir as gavetas  

e os papéis de dentro delas  

  

                         voavam   

               pelo   

                                                       quarto  

  

  

Tanta coisa escrita nestes papéis  

... E tantas outras que deixaram de ser escritas...  

  

E o vento fez voar até a rima,  

soprou pra longe  

       

      bem  

                        

                  longe  

  

longe  

  

...  

  

Tentei organizar os papéis de maneira lógica,  

mas percebi que muitas vezes precisa de ilógica pra lógica existir.  

  

Dúvidas surgiram à la Descartes.  

  

Está tarde  

Hora de dormir...  

  

*  

  

O vento cessou,  

mas os papéis continuam voando em forma de redemoinho... 

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