todas as vezes que te amei

todas as vezes que te fiz de poema
porque não aprendi a escrever romances

todas as vezes que me apaixonei pelo seu sorriso
porque o meu era disfarce de lágrima

todas as vezes que te sonhei
porque minhas manhãs são pesadelos

todas as vezes que amei seus olhos
por não saber me encarar num espelho

todas as vezes que atravessamos a madrugada conversando no telefone
porque eu não sabia me ouvir

todas as vezes que quis te ver gozar
por eu ter a alma frígida

todas as vezes que senti ciúme
por carregar a culpa de ser menor que os outros

todas vezes que você era tudo pra mim
porque me achava nada no mundo

todas as vezes que aceitei outro perfume em sua boca
vi outros sorrisos em seu jardim
todas as vezes que sua mão me guiou ao entardecer
(e eu continuei a ver o sol em preto e branco)
todas essas vezes que te amei
por acreditar que você é boa
e eu uma pessoa ruim
não foi amor
foi apenas o meu próprio modo de me condenar

namorei mais meus castigos
do que beijei seus lábios

[sobre poemas abusivos e relacionamentos reais - part. II]

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