Histórias jamais lidas

Em todas as madrugadas, milhares de livros são espalhados  numa imensa biblioteca. Não foram lidos, sequer folhados. A capa de muitos nem título possui e as páginas de todos vão além do caos.

Suas poesias não possuem rima,  nem há nos versos musicalidade. O eu-lírico é sempre a vítima de um drama que é real. Seus olhares não são lidos por leitores que possuem o conforto de uma poltrona. O drama é presente nas linhas de suas histórias e as lágrimas lhes vêm à tona por conta das injustiças escritas em suas páginas, injustiças que nos impressionam e até a existência de Deus questionam. São livros cujos protagonistas não existem, tornaram-se invisíveis, fazem parte do enredo apenas como anti-heróis  e represem a maior dor do escritor: o esquecimento de uma obra perdida, a indiferença na poética da vida.

Pena que não é ficção.

Ninguém estende a mão para ler a poesia que também há na ausência da dignidade humana.  Poética suja, bruta e fria. Versos tristes, tortos e espalhados ao ar. Mas, ainda assim, é poesia. É poesia de lirismo, quando lido, faz-nos chorar.

Antes fosse ficção.

Às vezes acontece de  o fictício ser tão real quanto à realidade e o real até parecer inventado.  Os personagens invisíveis desse enredo não são ficção, tampouco os romances de adultério, as crônicas da família que abandona,  os contos do que abandona ser família e os poemas que antecedem o cemitério.

Nessas páginas que parecem não ter sentido, há tanta profundidade. O leitor somente as entende atentando-se a epígrafe que o editor chefe deixou nas primeiras páginas de cada volume: "ame o próximo como a ti mesmo!"

E é a citação da vida  que transformamos em ficção  quando uma história é jamais lida.

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