Rasuras

se eu pudesse, voltaria ao início da página. pensaria novas rimas, faria inversões entre as palavras e evitaria paralelismos desnecessários.

não. se pudesse voltar ao início da página, eu deveria compor o silêncio.

mas, não. deu na telha de querer ser poeta!

não resisti o papel em branco e explodi em versos. perdi o controle da pena. quis virar logo a página.

fiz da obra um rascunho cheio de cicatrizes.

rasguei meus papéis com ímpeto. mas os versos tortos continuaram ali em migalhas.

em meio às rasuras, feri os olhos de quem me lia.

nova folha, em branco. mas agora não me vem à mente metáforas.

apenas vazios.

escrevo sobre o vazio do muro em branco. poema e poeta agora são o nada.

 

vazio.

voltar para prosa

show fsN normalcase tsN fwB right|show tsN left fwR|fwR show left tsN|b04 bsd|||login news c10 fwB fsN|normalcase uppercase fwB sbww c05 fwR c10 tsN|c10 fwB|login news normalcase uppercase fwB c10|normalcase uppercase tsN fwB fsN c05s|normalcase uppercase c10|content-inner||