eu confesso

confesso que prendi meus olhos aos seus assim como turistas prendem cadeados nas proximidades da pont des arts sobre o rio reno ou até mesmo em gramado onde nativos e forasteiros imitam a europa nas luzes costumes e chocolates me prendi tanto aos seus olhos que em seguida me prendi às promessas que a mim fiz jurei mudar voltei a crer em monogamia ri dos pós-modernos eu ri também de mim mesmo por ser pós-moderno desde os dezesseis quando desejei ménage com uma namoradinha do ensino médio sem saber como sugerir isso a ela mas nada disso importa aliás, é das coisas que não importam que a gente gosta é por isso que a gente gosta de poesia ela não serve pra nada, meu bem aqui ela serve apenas pra mostrar que eu fui tão devoto às minhas juras de amor quanto aqueles que amarram fitinhas no bonfim em paris ou salvador ou até mesmo num boteco numa esquina de são paulo eu seria supersticioso igual só para garantir que a gente fique junto até velhinhos tudo porque nosso primeiro beijo foi nossa primeira transa vivemos felizes para sempre durante duas ou três horas e quatro cervejas até me vi caminhando de mãos dadas em alguma trilha em monte verde ou na festa do morango em atibaia isso tudo por culpa dessa nossa mania de ser intenso viver e morrer e viver e morrer numa noite e se enterrar em ressaca às seis da manhã mas, calma eu sei que você nunca se casou comigo talvez para você tenha sido apenas uma transa den