morros e nascimentos

subi no morro do jacurutú pra ver uma manhã nascendo na hora do parto um anu preto fazia sombra no horizonte e galhos de um pequizeiro solitário dançavam no cerrado uma manhã nasce enquanto outra morre quando hoje morrer um alaranjado vai abrir os olhos em algum lugar do outro lado nuvens caminham em grupos assistem todos os dias e noites novas mortes e nascimentos elas não choram não precisam de deus nem da eternidade coisas que jacurutú me ensinou: sou menor que um anu preto eu deveria experimentar um pequi escrever um poema é menos importante que se espreguiçar numa manhã


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nas últimas semanas antes de dormir uma peste pula o portão bate com mãos pesadas à minha porta espia nas brechas das janelas força trincos para entrar minha visita é cão farejador caça sonhos, noites