o agricultor

uma peste corre livre nos vastos campos da consciência

seca as lágrimas de mananciais tinge o céu de cinza enfeita com rachaduras o solo abraça os resquícios de vida que habitam o seio de um pequeno agricultor

o ideal de campos verdes e frutíferos vale mais que a realidade do terreno bonito e arado

a alegria dos tempos de colheita cede à busca de um sentido para a plantação

mesmo em tempos de primavera pesa aos ombros do frágil agricultor o inverno da própria liberdade

resta-lhe buscar um caos a que possa se sujeitar