poema aos coríntios

convidam-me a escrever um sublime poema as manhãs que nascem as macieiras que florescem o barco que se despede do cais e os seios quentes que me servem doses de delírio

mas ainda a rima de meu poema é como metal soa ou sino que tine em vão

enquanto preencho o muro branco diante de mim uma rajada de vento derruba as macieiras e o mar furioso tenta engolir o barco

enquanto as nuvens encobrem o voo dos pássaros em meus versos o frio encobre um menino que vende balas no farol

dentro do muro branco o poeta tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta