quem nunca me abandona

todos os dias uma dor me acompanha a caminho do trabalho nas calçadas e vias nos vagões dos trens não me deixa sozinho quase um minuto sequer antes das sete, em manhãs cinzas peço um café para cada são dois com açúcar é que de amargo já basta cedo acordar minha dor almoça comigo senta à minha frente nada me diz nosso intervalo é momento de solidão e alívio de silêncio e de pausa para até o fim do dia aguentar em relatórios, reuniões risadas, confraternizações nos corredores, nas aulas cochiladas em cima da mesa na lágrima escondida atrás da porta de um banheiro minha dor está ali é quem nunca me abandona e quando a noite vai se deitando no céu caminhamos juntos de volta pra casa os prédios nos olham de cima nuvens em movimento a cidade não nos ouve tantos barulhos do mundo apenas escuto nossos pés no asfalto evitando pisar nas linhas do chão nos falamos pouco mas nos conhecemos bem as pixações dos muros, inscrições sobre nós o alaranjado do sol, o adeus de um dia cães e crianças no centro da terra a periferia que é quarto, dormitório tudo faz parte da volta de mim - e da minha dor que de tanto sentir, não a sinto mais

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©2020 por Daniel Carvalho e Kerstin Buck

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