reflexos de ferimentos

I.

meu espelho é campo de batalha. saio semi-sobrevivente de mim toda vez que me enfrento. sangro-me em reflexos, corto-me em lâminas e lascívias, atiro-me com arma de fogo e ao mar. torno-me soldado ferido por vestir armaduras que não me servem. sou herói sem medalhas igual pássaro sem asas. queda. II.

meu espelho é labirinto. nele não me acho. perco-me em reflexos como no papel em versos me espalho. espelho-fuga. do outro lado mora outro eu perdido e o monstro que devorou as sombras dos sonhos. o outro lado é muro-espelhado que esconde a outra margem. é mapa de rachaduras de alma. trinquei-me. sou vidro frágil. III.

meu espelho é cemitério. lá morreram minhas certezas. olhar para ele é tão incerto quanto andar em campo minado. explodo dentro de mi