semente da morte

meus pés estão fincados  em solo arenoso minhas raízes sufocam-se em si

os galhos crescem perdidos como se trilhassem um labirinto e minhas folhas são outono secas e amareladas

os ninhos foram abandonados pelos pássaros que voaram perdendo-se em despropósitos

no céu  respiro a neblina

em terra  sugo mananciais inteiros com minhas vontades

minha sede é limitada mas água me falta

a garganta é seca mesmo com dilúvios de sol e chuva

faço fotossíntese em trevas e sombra no jardim que me cerca

feri com espinhos todos que se esconderam em baixo de meus galhos para fugir do mormaço da pós-modernidade

matei animais que vieram se alimentar de meus pomos meus frutos tem veneno e sabor de lascívia

todas as madrugadas um herói me derruba com um grande machado

mas renasço todas as manhãs da semente do pecado

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©2020 por Daniel Carvalho e Kerstin Buck

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