todas as vezes que te amei

todas as vezes que te fiz de poema porque não aprendi a escrever romances todas as vezes que me apaixonei pelo seu sorriso porque o meu era disfarce de lágrima todas as vezes que te sonhei porque minhas manhãs são pesadelos todas as vezes que amei seus olhos por não saber me encarar num espelho todas as vezes que atravessamos a madrugada conversando no telefone porque eu não sabia me ouvir todas as vezes que quis te ver gozar por eu ter a alma frígida todas as vezes que senti ciúme por carregar a culpa de ser menor que os outros todas vezes que você era tudo pra mim porque me achava nada no mundo todas as vezes que aceitei outro perfume em sua boca vi outros sorrisos em seu jardim todas as vezes que sua mão me guiou ao entardecer (e eu continuei a ver o sol em preto e branco) todas essas vezes que te amei por acreditar que você é boa e eu uma pessoa ruim não foi amor foi apenas o meu próprio modo de me condenar namorei mais meus castigos do que beijei seus lábios [sobre relacionamentos reais e poemas abusivos - part. II]

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©2020 por Daniel Carvalho e Kerstin Buck

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