morri tantas vezes

morri tantas vezes nos últimos anos que perdi a conta

faxina

naquele buraco encontrei uma conquista esquecida empoeirada, já sem vida

o outro

talvez nossas testas teriam se beijado se não fosse o vidro que nos separava.

aniversário

nasci dia trinta e um de janeiro de oitenta e nove. às onze da noite.

reflexos de ferimentos

meu espelho é cemitério. lá morreram minhas certezas. olhar para ele é tão incerto quanto andar em campo minado. explodo dentro de mim.

esgotamento

todos os dias eu morro algumas mortes e enterro-me à noite.

ensaio

hoje é o terceiro dia que ensaio minha morte.