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©2020 por Daniel Carvalho e Kerstin Buck

DANIELGTR - CNPJ: 36.240.550/0001-25 - São Paulo, SP
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    quando os astros transam e os deuses jogam dados eróticos

    quando estamos juntos uma partícula colide no caos e um novo universo se forma acima de nós a imensidão da noite nos olha e fica pequena quando minha barba desliza em suas costas as estrelas se espantam com o ímpeto de nosso desejo a astrologia fica muda por ter julgado que éramos opostos mas nos combinamos porque o mapa que aprendi a ler foi o desenho das suas veias no braço elas saltam no momento em que suas mãos agarram com força o lençol e descobrem o colchão eu também me sinto descoberto e assim me descubro entregue alma nua e corpo vestido do suor que escorre junto com sua essência ela se mistura com minha saliva quando você senta em meus lábios minhas mãos se prendem em suas coxas como se não houvesse gravidade como se o mundo fosse perder suas forças e desabar no chão na verdade meu mundo desaba e suas pernas tremem nessa hora a única gravidade é a da malícia de seus olhos quando me olham de baixo pra cima mesmo que se apaguem as luzes nós nos vemos em detalhes mesmo que se apaguem as estrelas nós, nus, vemos universos particulares na escuridão te vejo pelo toque e enxergo até o que está dentro enquanto você me sente dentro te vejo por cima e percebo que nosso teto é estrelado sinto seu gosto ele tem sabor da poeira das estrelas quando explodem não sabemos mais qual é a sua ou a minha poeira pois ambos somos sujos os planetas param suas órbitas para assistir as constelações de nossos corpos se a literatura e a ciência pudessem nos ver a olho nu lars von trier desistiria de suas filmagens e passaria a escrever romances delta de vênus seria reescrito e anaïs nin acrescentaria um capítulo só para nós dois carl sagan teria que reestudar toda a física e mesmo assim não nos entenderia eistein veria que no espaço de nossa cama o tempo não é relativo é absoluto isso porque nossas pernas entrelaçadas tem mais metafísica que os poemas de álvaro de campos nosso desejo é o bóson de higgs de nosso universo e o que pulsa dentro do seio é o que nos une em versos [quando os astros transam e os deuses jogam dados eróticos]